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Manifesto bolsonarista atrasa tratamento de mulher contra câncer: ‘Sentindo dores’

Meses atrás, a pensionista que não foi identificada de 67 anos, recebeu o diagnóstico de câncer de mama. Com isso, começou uma corrida contra o tempo para iniciar o tratamento o quanto antes para evitar a expansão da doença.

“Comecei a sentir as dores em agosto, aí em setembro fiz exames e tive a notícia de que era câncer”, contou ela à BBC News Brasil.

A senhora é moradora de Itaboraí (RJ), começou a fazer seu acompanhamento em um hospital do Instituto Nacional do Câncer (Inca) na capital fluminense, para o qual foi encaminhada pelo sistema público do seu município. Ontem, terça-feira,1°, ela tinha um exame essencial : uma biópsia que apontaria exatamente o tipo de câncer que ela tem, pois assim os médicos iriam traçar o melhor e mais adequado tratamento para ela.

Ela diz já tinha combinado com um motorista de aplicativo para levá-la à unidade de saúde, mas logo nas primeiras horas do dia soube que não conseguiriam ir ao hospital. Infelizmente, assim como essa senhora de 67 anos, há inúmeras histórias de pessoas que tiveram suas vidas afetadas de diferentes formas em razão dos bloqueios nas rodovias do país.

Todos os lugares que a gente passaria para ir ao Rio de Janeiro foram fechados (pelo bloqueio)”, lamentou ela, que precisou telefonar para o hospital informando a situação e desmarcou o exame.

O movimento é liderado por apoiadores do presidente Jair Bolsonaro (PL) que estão revoltados com a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), os bolsonaristas tomaram conta de centenas de rodovias pelo país.

O setor da saúde foi um dos que foram duramente afetados, há inúmeros relatos de pacientes que enfrentam a consequência da manifestação e que continua em diversos pontos mesmo após determinação do Supremo Tribunal Federal (STF) para liberar as vias. Em alguns hospitais receberam alertas de que a entrega de oxigênio, um insumo básico necessário para manter vivos pacientes que estão internados em situação mais grave, pode sofrer atrasos.

‘Ela tem sentido muitas dores no peito’

O atraso no exame da senhora que foi diagnosticada com câncer de mama causou preocupação em seus familiares. Uma das netas dela relatou sua preocupação com o estado de saúde da avó: “A minha avó tem sentido muitas dores no peito. E ela é idosa, hipertensa e diabética. Nós fomos informadas de que, para conseguir o tratamento pelo SUS (Sistema Único de Saúde), os exames deveriam ser feitos lá (na unidade do Inca em que a senhora faz acompanhamento)“.

Após desmarcar a consulta ela pediu ajuda para que o procedimento fosse remarcado para o período mais próximo possível, pois cada dia sem um diagnóstico preciso é uma preocupação misturado com angústia.

“No hospital, eles são muito atenciosos e a moça disse que entendia a minha situação. Ela me falou que iria tentar remarcar para a semana que vem, mas não confirmou ainda se conseguiria. Agora é aguardar. A doença vai aumentando, né, meu filho. Quanto menos tempo até começar o tratamento, melhor. E eu já estou há mais de três meses sentindo dores.”, desabafou a senhora.

Existem mais de 2,2 milhões de casos com mulheres com câncer de mama em todo o mundo e todos os anos, de acordo com os dados mais recentes, da Organização Mundial da Saúde (OMS), em 2020. Estima-se que cerca de 1 em cada 12 mulheres vai desenvolver o câncer de mama ao longo da vida, sendo ele a principal causa de morte entre elas.

Por enquanto, uma das poucas informações que a senhora carioca é que sobre o seu tratamento é que irá passar por uma cirurgia na mama esquerda em breve. Ela acredita que já deveria estar fazendo quimioterapia, porém afirma que perdeu tempo ao ser encaminhada inicialmente a um outro hospital, que no qual não tinha o tratamento que precisava.

Além de lamentar o problema que vivenciou em razão do bloqueio das rodovias, a senhora frisa que a sua preocupação referente ao atual cenário do país não se resume à dificuldade que viveu nesta terça-feira e faz uma declaração.

“Eu também fico triste com tudo isso no país, porque eu já vivi 67 anos e nunca vi uma situação tão tumultuada, um governo tão tumultuado e com tantas ofensas aos mais pobres. E tudo o que vier de ruim do governo também me atinge”.